Bullying

Tema extremamente complexo, o conceito de bullying vem passando por modificações, no qual, atualmente, entende-se que a prática de bullying compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, sem motivação evidente, de uma ou mais pessoas contra vítima em uma relação desigual de poder. Como resultado há intimidação, dor e angústia para quem o sofre. A prática dessas atitudes sistemáticas ocorre não apenas no ambiente de ensino mas também qualquer espaço recreativo, incluindo também o mundo virtual.

Vamos entender melhor esse processo…


O agente do bullying sabe e/ou entende que sua ação será desagradável, perturbadora e/ou tem potencial para machucar o próximo.

Mesmo assim, o faz e sente-se superior à vítima

Não há motivo evidente (exemplo: brigas ou desentendimentos). O agressor considera a violência como melhor estratégia para resolver conflitos e questões.

A vítima encontra-se em desvantagem de poder: forca física inferior, desvantagem numérica, menor autoconfiança e/ou autoestima, entre outros, e claramente há dificuldades em se defender.

Note que para a criança ser capaz de realizar o bullying é necessário que tenha já discernimento de seus atos. Assim não incluímos nesse universo as crianças pequenas, geralmente menores de três anos. Também, não entram no conceito primordial de bullying as agressões físicas graves como uso de armas, estupro ou sérias lesões corporais. Essas ações, obviamente, recebem outro tipo de tipificação que não entrarão na discussão deste post.

Tipos de Bullying


• Físico: lesões ligadas a atos de pressão e contato (socos, chutes, beliscões);
• Verbal: apelidos desagradáveis, intimidação, provocação, depreciações usando linguagem oral;
• Escrito: redação de bilhetes, cartas, pichações, cartazes, faixas, desenhos depreciativos;
• Moral, social ou psicológico: difamação e calúnia, intimidar, ignorar, fazer pouco caso, imitar desfavoravelmente (usando trejeitos e fazendo piadas), excluir ou incentivar a exclusão social com objetivo de humilhar.
• Material: estragar, danificar, pegar os pertences ou atirá-los contra a vítima;
• Cyberbullying: inclui a utilização de mídia eletrônica, por intermédio de e-mails, postagens, imagens ou vídeos. Tem o potencial de, em segundos, alcançar um número muito grande de pessoas causando danos psicológicos acentuados e negativos. Por esse motivo, quando realizado uma única fez ja é considerado bullying.

Para ficarmos atentos:

Depressão, ansiedade e baixa auto-estima podem ser tanto consequências quanto fatores precursores de bullying.

Nota-se que os autores do bullying por vezes apresentam nível elevado de sintomas de agressão geral, oposição a regras, abuso de substâncias.

As vítimas de bullying são mais propensas a apresentar sinais físicos relacionados a dor de estômago e de cabeça, distúrbios do sono, incontinência urinária, cansaço, falta de apetite, stress pós traumático.

Como prevenir e como atuar em casos de bullying?


Toda sociedade devem estar atenta e capacitada a intervir prontamente: pais, educadores, familiares, colegas da escola, profissionais de saúde. Não há solução rápida. As ações englobam premissas relacionadas à segurança, solidariedade, empatia, respeito à diversidade e à cultura da Paz. A UNESCO define como “a cultura da Paz” a manutenção de valores, atitudes e comportamentos que refletem o respeito à vida, à pessoa humana e sua dignidade e aos direitos humanos, entendidos em seu conjunto.

A criança/adolescente que sofre bullying pode apresentar sinais que podemos identificar precocemente: traumas frequentes (ferimentos, hematomas), roupas rasgadas ao chegar em casa, pânico na hora de ir para a escola, sono agitado sem outro motivo aparente, alterações repentinas no humor, desculpas para não ir à escola, ansiedade, comportamento agressivo ou introspectivo de forma demasiada e não habitual, tendência ao isolamento ou busca de novas amizades fora do ambiente onde há bullying.

Em relação à criança/adolescente que é autor/a do bullying a família não deve minimizar ou ignorar o problema, dizendo, por exemplo, que tudo não passa de brincadeira. É preciso calma para ouvir e conversar com filhos/as. O diálogo pode contribuir para compreender e buscar respostas sobre os motivos da agressão. Incentive-o/a falar de seus problemas e frustrações, buscando juntos soluções positivas, que conscientizem e ajudem a encontrar outras formas de resolver seus problemas.

É preciso deixar claro que o uso da violência não é aceitável.

Conhecer amigos, conversar com outras famílias e tentar identificar se não há um comportamento influenciado por grupos pode ser de grande ajuda, obviamente, tendo cuidado de não buscar outros culpados e isentar cada um das próprias responsabilidades.

Mais do que nunca, tanto para vitima quanto para agressor o afeto, o diálogo, a verdade, a confiança e a demonstração do amor da família e demais pessoas do circulo de confiança são fundamentais, bem como acompanhamento adequado com equipe multidisciplinar.

Fontes de Apoio

Sociedade Brasileira de Pediatria

Academia Americana de Pediatria

Periódico Psicologia Escolar e Educacional

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