Hipertensão Arterial na Infância e na Adolescência

Engana-se quem pensa que hipertensão arterial é doença de adulto. Infelizmente é crescente a incidência dessa doença nas crianças e adolescentes.

Neste post falaremos um pouco mais sobre esse problema de saúde que já é uma realidade endêmica na Pediatria!

Detecção precoce

Quando falamos sobre “medir a pressão arterial” estamos fazendo referência a 2 medidas:

  • Pressão sistólica, que é a maior medida aferida nas artérias, correspondendo ao bombeamento cardíaco de fluxo de sangue para todo corpo pelas artérias.
  • Pressão diastólica, que é a menor medida aferida nas artérias, correspondendo ao relaxamento dos músculos cardíacos entre os batimentos que garantem o bombeamento sanguíneo.

Os limites de pressão arterial são definidos de acordo com o sexo, idade e estatura de cada criança e as medidas encontradas devem ser comparadas com os valores de referência para considerarmos uma criança hipertensa. Se alguma das medidas está acima do normal para idade, altura e sexo temos a chamada hipertensão arterial.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que, para crianças saudáveis, as aferições de pressão arterial ocorram a partir dos 3 anos de idade, nas visitas de rotina anuais ao pediatra.

As aferições devem ser realizadas com manguito adequado para o tamanho da criança, em ambiente tranquilo, com a criança confortável e sentada por 3 a 5 minutos com o dorso e pés apoiados.

Medidas elevadas isoladas devem ser identificadas em pelo menos 3 ocasiões diferentes para termos o diagnóstico de hipertensão arterial. Nesse caso, há necessidade de investigação mais detalhada de possíveis causas e complicações.

Atenção!

Em certas ocasiões esse screening deve ser realizado mais cedo. Aqui listamos algumas situações em que a aferição da pressão arterial deve ser realizada antes dos 3 anos de idade:

  • História de prematuridade, extremo baixo peso ou outras complicações neonatais
  • Cardiopatia congênita
  • Infecção urinária de repetição, presença de sangue ou proteína na urina
  • Doença renal desconhecida, malformações do trato urinário, história familiar de doença renal congênita
  • Antecedente pessoal de transplante
  • Doenças oncológicas
  • Uso de medicamentos que têm como efeito colateral aumentar a pressão arterial
  • Doenças crônicas

Quais as Causas e Sintomas da Hipertensão?

Geralmente a hipertensão arterial nas crianças é assintomática e os sintomas e sinais podem aparecer apenas com o avançar da idade para a adolescência e adulto jovem.

As causas podem ser primárias ou secundárias. Fatores de risco para hipertensão incluem sobrepeso, obesidade, ingestão de sal na dieta, sexo masculino, idade avançada e etnia (maior prevalência em hispânicos e afrodescendentes).

Estudos realizados nos Estados Unidos indicam que até os 7 anos de idade 50% das causas da hipertensão arterial são devidas à obesidade! Se você ficou alarmado, os índices são piores na adolescência, quando essa taxa – da obesidade levando à hipertensão arterial – aumenta para 85-95%.

Tratamento

Mudanças no hábito de vida, como redução de peso, atividade física regular, dieta adequada e correção de hábitos familiares não saudáveis, consistem na primeira linha de tratamento para todas as crianças com diagnóstico de hipertensão arterial.

Uma dieta com nutrientes balanceados com baixo teor de sódio, restrita em açúcares e gorduras e rica em vegetais, legumes, frutas e cereais é sempre o primeiro passo para a alimentação mais saudável.

Atenção a salgadinhos de pacote, comida congelada, alimentos processados e embutidos, sucos artificiais e refrigerantes: são exemplos de alimentos prejudiciais à saúde e compostos de muito sódio.

A prática de exercícios físicos aeróbios diários (esportes ou brincadeiras não relacionadas a mídias/tablets), pelo menos 60 minutos por dia, 4 vezes na semana, também é medida essencial para manutenção de uma rotina saudável. Reduzir o tempo diário em mídias digitais também é fator de extrema importância quando pensamos em praticar hábitos saudáveis!

Medicamentos

A prescrição médica de medicamentos anti-hipertensivos está indicada nas seguintes ocasiões:

  • hipertensão sintomática,
  • hipertensão secundária, como por exemplo, acusada por doença renal ou diabetes mellitus 2 e resistência à insulina,
  • lesões em outros órgãos (por exemplo, coração, rim) secundárias à hipertensão,
  • quando as mudanças no estilo de vida não trouxerem resultados esperados na redução da pressão arterial.

As estatísticas mostram que os casos que necessitam de medicamentos no controle arterial não passam de 1%.

Não identificar crianças hipertensas nos primeiros anos de idade pode acarretar complicações cardiovasculares e renais graves na idade adulta.


Fontes:
Periódico Médico Pediatrics da Academia Americana de Pediatria, Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Ministério da Saúde do Brasil.

Colaboradora:
Dr.ª Camila Lanetzki
Nefrologista pediátrica formada pela Faculdade de Medicina da USP
(11) 3097-8244

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