Mordedura de Animais: O que você Precisa Saber

Essa semana tivemos no consultório uma criança que foi mordida por um macaco! Mordeduras por animais é mais comum do que se pensa e por isso o post de hoje será dedicado a esse assunto.

As mordeduras de animais são relativamente comuns, especialmente de animais domésticos. As características das mordeduras variam de animal para animal. O formato dos dentes dos cães, bem como a força de suas mandíbulas, podem causar esmagamento de tecidos e lacerações que podem comprometer músculos, vasos, tendões e ossos. Já mordeduras de gatos causam ferimentos puntiformes profundos o que aumenta a possibilidade de complicações infecciosas.

Das complicações infecciosas, as mais popularmente conhecidas são Clostridium tetani, infecção que é sempre um risco em pessoas não vacinadas, e raiva.

Sobre a raiva….

Mordeduras de animais selvagens ou de animais domésticos de origem desconhecida são potencialmente mais graves, pelo risco da transmissão da raiva. Idealmente estes animais devem ser capturados e mantidos em observação. Quanto aos macacos, As mordeduras são vistas com certa frequência por dois motivos: um deles, é que cada vez mais temos contato com eles em parques e, o outro, é que infelizmente são animais ainda mantidos de forma ilegal como animais de estimação.

A raiva é uma infecção transmitida aos seres humanos através da inoculação do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado. O vírus da raiva tem ação no sistema nervoso central causando uma encefalite aguda – inflamação nos tecidos cerebrais, apresentando 90% de letalidade!

A transmissão ocorre pela mordedura e mais raramente pela arranhadura e lambedura de mucosas e/ou pele lesionada.

Tratamento das Mordeduras no geral

O tratamento envolve medidas de primeiros socorros e os cuidados para o tratamento das infecções secundárias e reparos de tecidos lesados.

– O ferimento deve ser limpo, removendo sujidades e substâncias estranhas da área. A limpeza cuidadosa é fundamental na prevenção das infecções.

– Especialmente nos ferimentos lacerados, dependendo do grau de lesão e local da mordida muitas vezes antibioticoterapia é indicada.

– Em um ferimento lacerado após correta limpeza a sutura (dar pontos) e curativo oclusivo podem ser necessários.

– Garantir a prevenção contra tétano e raiva

– Tétano

Se a pessoa está em dia com a vacinação, porém a última dose está entre 5-10anos, é necessário apenas o reforço vacinal.

– Raiva

A raiva deve ser prevenida em qualquer mordedura de animal selvagem. A profilaxia é mandatória, uma vez que a raiva não tem cura. Pacientes mordidos por animais selvagens ou de origem desconhecida devem ser vacinados contra a raiva ( são 5 doses e o completo esquema vacinal é indispensável), sendo, em alguns casos, também receber imunoglobulina antirrábica no local do ferimento, cuja indicação depende do tipo, local e espécie de animal.

Observação: viagens para cavernas como por exemplo, no PeTar nos permitem proximidade com morcegos . Todas as espécies de morcegos podem transmitir a raiva, mesmo os herbívoros.

Os animais domésticos devem ser imunizados contra raiva a partir dos 3 meses de vida anualmente!

Para terminar, trouxemos este folder do Ministério da Saúde com valiosas informações dos principais passos a serem seguidos na profilaxia contra a raiva, após acidente por mordedura de animais:

Informações sobre locais de atendimento de pré e pós exposição ao vírus da raiva

http://www.saude.sp.gov.br/instituto-pasteur/homepage/noticias/informacoes-sobre-locais-de-atendimento-de-pre-e-pos-exposicao-ao-virus-da-raiva

 

Fontes:

Instituto Emilio Ribas

Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE)

Fundação Oswaldo Cruz

Ministério da Saúde do Brasil

Sociedade Brasileira de Imunização

Colaboradoras

Colaboraram na elaboração deste post: Dra Andrea Marques de Miranda – Médica Infectologista pela Faculdade de Medicina da USP – e a Dra Ana Parra Veterinária pela FMU

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