Os Bebês, seus Elos Emocionais e a Angústia da Separação

Ao nascer o recém nascido precisa de ajuda para realizar tarefas básicas e vitais. Gradativamente, laços parentais se aprofundam em uma relação que provê segurança física e emocional, gerando um sentimento de unidade, principalmente (mas não exclusivamente) com a mãe. O bebê nesse começo não se “vê” ainda como sujeito próprio e sim como extensão de quem lhe deu a vida. Aos poucos, sua estrutura psíquica e emocional modifica-se e desenvolve-se a partir das interações pessoais e experiências próprias, tanto positivas como negativas.

Por volta dos 7 meses, o bebê começa a entender que é um sujeito independente. Uma importante conquista mas que pode deixá-lo inseguro e ansioso. Para maioria das famílias, no meio deste contexto, a mãe – referência importante no quesito vínculo – retorna ao trabalho. A reação da maioria dos bebês é de choro e relutância nessa separação, reação denominada como angústia da separação. Ele não entende totalmente essa dinâmica: que você vai sair e vai voltar ou quando vai voltar. A concepção de tempo é de aqui e agora. Conforme ela vai crescendo e amadurecendo, suas experiências prévias e memórias afetivas serão capazes de deixá-la mais confortável com essa separação.

Algumas sugestões para quem está vivenciando esse momento:

  • Na hora de se despedir – seja com beijo, abraço, explicando que vai sair, entregando um bichinho de pelúcia – seja breve, consistente e gentil. Muitas vezes, quanto mais demoramos, mais a ansiedade deles pode se prolongar.
  • No momento da despedida tente dar total atenção ao seu filho sem distrações externas. Se ele estiver no chão, abaixe e olhe nos olhos.
  • Explique que você irá voltar e situe a criança temporalmente de uma maneira que ela compreenda. Por exemplo: voltarei depois do almoço.
  • Uma maneira sútil de agir na rotina: dentro de casa explicar a seu filho que você sairá daquele cômodo. Assim, você passa informações importantes para que ele entenda que você saiu, explicou e cumpriu a promessa de voltar. Por exemplo “vou até a cozinha e já volto”. Outra atitude, que colabora com esse ganho de autonomia, é não seguir o bebê imediatamente quando ele muda de cômodo e sai de perto de você. Espere um pouco e vá depois.
  • Objetos de transição: deixe a criança escolher objetos macios, como cobertas, paninhos ou bichinhos de pelúcia. Esses objetos não indicam “fraqueza” e podem oferecer suporte emocional ao conectá-la com o que lhe é familiar, permitindo a transição emocional da insegurança para segurança.
  • Geralmente os episódios são piores quando os bebês estão em seu limite: cansados, com fome, doentes. Nessas situações acolhimento e paciência são mais fundamentais ainda.

Seguindo a linha de pensamento de Bowlby, psicanalista, psiquiatra e psicólogo do século 20, é no primeiro ano de vida que o bebê estabelece relação de apego e ligação com a denominada figura “preferida”. Essa figura oferece a maior parte dos cuidados, vínculo afetivo e será crucial para seu desenvolvimento e comportamento. Através desse apego a criança, será capaz de manter essa figura na memória, quando a mesma não estiver presente. Isso normalmente é observado na segunda metade do primeiro ano de vida. O evento da angústia da separação é um momento delicado, mentalmente e psicologicamente estressante para todos. Na medida do possível, pais tentem manter-se bem humorados, positivos e calmos. Isso dará ferramentas para criança passar por esse momento de forma mais gentil.

Fontes de Apoio

Revista de Psicologia USP

Publicações John Bowlby, Rene Spitz e Donald W. Winnicott 

Academia Americana de Pediatria 

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